O não texto
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
todas somos um pouco Tati
O não texto
sábado, 27 de dezembro de 2008
praticando
Tudo bem, tudo isso não tem importância, mas é que contei essa lenga lenga toda, pra dizer que minha agenda tem frases e citações diversas em cada página correspondente a cada dia do ano de 2003 (realmente acho que já posso trocar). E claro que não jogaria fora, sem guardar essas frases tão legais, pra poder ler quando eu quiser, e de quebra ainda mostrar pra alguém. Assim alguns dos próximos posts serão dedicados a esses provérbios, e alguns autores que foram capazes de eternizar em suas falas um momento de sabedoria ou vários.
Para a despedida e já deixar um gostinho do que vem, aí vão dois deles:
Aquilo que se começa está metade feito. (Horácio -poeta latino 65- 8 a.C.)
As palavras voam, os escritos permanecem (Provérbio latino)
PS: Assim como essas, as citações do post anterior fazem parte da mini coletânea da minha futura antiga-agenda. Reparem que esses aqui são bastante pertinentes ao texto de hoje.
regra e exceção (sobre ser humano)
O ser humano é o único que se recusa a ser o que é. (Albert Camus, escritor francês-1913-1960)
Nós sabemos o que somos, mas não o que podemos ser. (Shakespeare, dramaturgo e poeta inglês -1564-1616)
Sempre enfezei ser eu mesmo. Mau, mas eu. (Oswald de Andrade, escritor brasileiro 1890-1954)
Sem inspiração, e depois dessa, uma enorme vontade de ler Oswalde de Andrade, e de me enfezar.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Buon Natale
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Ser Luz
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
...
Já passei por esse tipo de perda, duas vezes quando bem criança, a primeira vez quando meu avô materno se foi, devia ter uns sete anos, não sei. Depois pelo meu avô paterno, já talvez com meus doze anos de idade. Não tenho recordações desses dias e nem o que eu senti, acho que não compreendia (nem hoje ainda) a dimensão e os mistérios da morte e da vida. Já mais recentemente minha avó materna, com a qual eu havia morado um tempo e tinha uma ligação mais forte, senti muita falta e tristeza, mesmo tendo consciência da sua velhice e da sua doença, ainda trago uma dorzinha n’alma que não sei o que é toda vez que lembro dela.
Há alguns meses, foi a hora de dizer adeus a uma tia querida, que aprendi a admirar e amar como mãe, já que era quem fazia esse papel de cuidadosa e compreensiva aqui. Não tem como não lamentar os abraços não dados, as palavras de afeto não ditas, as ações de carinho não praticadas. Não há como não umedecer os olhos e amolecer o coração ao recordar. E agora de novo, como nunca deixa de acontecer todos os dias, (tem sempre alguém sendo surpreendido pela temporalidade e finitude da vida) a vida mostra a morte sem explicação; quem sabe porque já sabemos, já temos essa certeza. E mesmo assim toda vez é como se estivéssemos alheios ao destino sabido de todos nós; talvez o medo, o mistério, o desconhecimento, a falta de fé nos faça encarar esses momentos com total despreparo. Talvez também, seja melhor assim, viver como se a vida nunca fosse ter fim, e receber essa surpresas certas como uma lição, onde aprendemos que devemos valorizar pessoas e não coisas, onde aprendemos que podemos mudar e melhorar enquanto estamos aqui.
É uma confusão de sentimentos, de pensamentos; penso em mim, nos meus, nos outros, no mundo, na vida, na morte... em Deus. E nesse turbilhão de emoções, resta buscar esperança, cada um onde está depositado sua crença, sua força, sua verdade, o sentido de viver; eu busco.
sábado, 20 de dezembro de 2008
espelho
sem um tanto de
ingenuidade e
simplicidade
genuinamente minhas.
Não olho, mas vejo
um tanto de tristeza
e desencanto
não sei de quem.
Só reconheço
algumas partes de mim
as outras permanecem
estranhas.
E o selo vai para...

1) Você deve exibir a imagem do selo em seu blog
2) VocÊ deve linkar o blog pelo qual você recebeu a indicação
3) Escolher outros 15 blogs a quem entregar o Prêmio Dardos
4) Avisar os escolhidos, claro.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
escrever é viver

Todo o poder da palavra
*Professora da UnB, autora do livro A escrita e o outro, publicado pela Editora Universidade de Brasília. (O papel onde estava o texto não mostrava de qual revista publicação foi retirado, só havia essa nota sobre a autora, deve valer a pena ler um livro dela, fico me devendo.)
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Predestinados
Poema de sete faces
Carlos Drummond de Andrade
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos , raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo,
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Não é proibido
o amor integral,
o pão, a lentilha,
o poema grelhado, o sal na medida:
cozinhar lentamente
essa fome indefinida."
(Adriano Espínola -poeta brasileiro, em Culinária, do livro Praia Provisória in: Seção Foco- Revista Caras )
Aqui um trecho da música que falei, também vale ouvir depois:
(...)
Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa, qual o quê
Com seu terno mais bonito, você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é operário, sai em busca do salário
Pra poder me sustentar, qual o quê
(...)
Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Como vou me aborrecer, qual o quê
Com açúcar, com afeto- Chico Buarque
hummm, deu uma fome agora...
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Pra quando vier a Vaidade
Só
de pó
Deus o fez.
Mas ele em vez,
de se conformar,
quis ser sol, e ser mar,
e ser céu...Ser tudo enfim!
Mas nada pôde! E foi assim
que se pôs a chorar de furor...
Mas - ah! - foi sobre sua própria dor
que as lágrimas tristes rolaram. E o pó,
molhado, ficou sendo lodo - E lodo só!
sábado, 6 de dezembro de 2008
Pra guardar

terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Rotina
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
sobre a vida
Eu nunca fui de ficar muito próxima de meus professores, as relações professor-aluno sempre foram baseada em respeito, e em alguns casos admiração. O primeiro sentimento porque tive uma educação tradicional e o segundo porque sempre há alguns mestres que vão além do ato de ensinar, que fazem diferença em nossas vidas, em muitos casos sem se darem conta disso. Nesse caso foi assim. Por causa de minha timidez talvez ele nunca soube, que foi um desses que me fez mudar, perceber coisas que eu nunca havia imaginado, pensar diferente sobre o mundo. Não apenas pelo conhecimento da sua matéria, mas pela forma como se apresentou à turma, seus pensamentos e atitudes, sua maneira de viver, por que eu o via como alguém que vivia o que acreditava, alguém com ideais e com atitude e isso é raro.
Fiquei pensando, nessas coisas que não conseguimos acreditar, nessas pessoas que achamos que não vão embora. Apesar de não ser próxima eu fiquei bastante sensibilizada; sei que acontecem coisas tão tristes e indignantes, coisas piores. Mas cada um de nós é quem dá essa medida pra tudo que acontece à nossa volta, a partir de tudo aquilo que nos constitui, e como em mim há algo daquele mestre, uma admiração pela vida, uma alegria de viver e um jeito diferente de perceber o mundo que ele com certeza deixou em todos nós alunos seus, naqueles dias.
Um dia escreveu no quadro:
Como sei pouco, e sou pouco,faço o pouco que me cabe me dando inteiro.
Anotei e mais tarde descobri que era de Thiago de Mello:
Para os que virão
Como sei pouco, e sou pouco, faço o pouco que me cabe me dando inteiro. Sabendo que não vou ver o homem que quero ser.
Já sofri o suficiente para não enganar a ninguém: principalmente aos que sofrem na própria vida, a garra da opressão, e nem sabem.
Não tenho o sol escondido no meu bolso de palavras. Sou simplesmente um homem para quem já a primeira e desolada pessoado singular - foi deixando, devagar, sofridamente de ser, para transformar-se - muito mais sofridamente - na primeira e profunda pessoa do plural.
Não importa que doa: é tempo de avançar de mão dada com quem vai no mesmo rumo, mesmo que longe ainda esteja de aprender a conjugar o verbo amar.
É tempo sobretudo de deixar de ser apenas a solitária vanguarda de nós mesmos. Se trata de ir ao encontro. ( Dura no peito, arde a límpida verdade dos nossos erros. ) Se trata de abrir o rumo.
Os que virão, serão povo, e saber serão, lutando
Thiago de Mello
Se eu só mostrasse esse poema, que certamente era um de seus preferidos, quem lêsse, já teria uma idéia do grande homem que foi meu professor.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
mudança (parte II)
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
designação
da minha família
amor rima com humor
Adoro as sutilezas poéticas...
"
- a gente se vê amanhã?
- não.
- exijo um motivo!
- sei lá... sempre pensamos no amanhã como algo bonito... "
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
fundamental ouvir
Wave - Tom Jobim (na voz de Marjorie Estiano)
(..) O resto é mar
É tudo que eu não sei contar
São coisas lindas
Que eu tenho pra te dar
Fundamental é mesmo o amor
É impossivel ser feliz sozinho (...)
Mudança
Estou escolhendo o que vou levar e o que vou deixar, acho que comecei bem. Não vou querer levar as mágoas, nem raiva e todas essas coisas pesadas que só sobrecarregam e ocupam espaço, sem nenhuma utilidade em nossa vida. Em compensação estou arrumando lugar na bagagem para generosidade e a solidariedade, o perdão, essas coisas que às vezes nem damos o devido valor, mas são essenciais e fazem um bem danado a alma, estou arrumando aqui dentro, vai caber.
É difícil deixar pra trás os espaços que fazíamos nosso, até o nome de usuário do computador foi difícil mudar, sem sentir como uma perda. Mas estou fazendo questão de perceber as conquistas e pensar nas coisas que ficam, não como algo que estou perdendo, mas estou deixando, como deixamos algo que não nos fará falta, que não é essencial, porque não são. E isso foi outra coisa que descobri na “mudança”; essencial são mesmo as pessoas que gostamos, a vida; e como disse Tom Jobim : fundamental é mesmo o amor...embora pareça piegas, embora até seja piegas; quem disse que pieguice é desimportante?
Bom, e sobre o que falta, a gente vai buscando, encontrando, do fogão ao tapete na porta de entrada, onde se lê: home sweet home. Não é bom pensar no que falta nessas horas, senão não mudamos nunca, seremos os mesmos, com os mesmos pensamentos petrificados, com os mesmos hábitos e atitudes, e a vida muda, por que nós não? Eu vou mudar. Nos vemos na minha vida nova, nos vemos na minha casa nova.
sábado, 15 de novembro de 2008
rascunhos
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
nova versão?
"Mas a vida era a vida, e tudo mudou." Miguel Torga
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Diário de inverno
domingo, 9 de novembro de 2008
sem comemoração? sim CEM!
Outro dia ao olhar o blog, vi que faltavam menos de cinco posts para a postagem número cem, e claro pra não deixar fugir a oportunidade, eis-me aqui comemorando, vai saber quando será o post número 1000 ou a 10.000ª visita, entonces resolvi fazer um pequeno texto sobre o que penso da minha própria versão.
No início de tudo eu disse que o objetivo era mostrar como eu percebo o mundo e como percebo a mim mesma, e garanto que foram grandes as surpresas, imaginem só, quem diria que reler o que escrevei, rever o que coloquei nesse espaço, mudaria bastante a idéia que eu fazia de mim. Eu que me considerava o otimismo em pessoa, a alegria em forma de gente, me vi triste e melancólica muitas vezes, deixando muitas vezes de escrever algo porque por mais que eu tentasse não conseguia mostrar algo diferente.
Eu que sempre me considerei a mais responsável, a mais careta, a mais adulta (bem ainda sou assim mesmo) vi que tenho um lado muito infantil e bem ingênuo algumas vezes. E claro algumas coisas se confirmaram, a desconfiança e a timidez são bem fortes de serem vencidas, embora eu venha lutando bravamente.
E algumas de minhas versões continuam um mistério até pra mim, mas se até Clarice Lispector (veja a citação ao lado) via no seu desconhecimento a sua maior e melhor parte, por que não eu? Embora na realidade sempre quero conhecer, o outro, a mim, o mundo e, também talvez, me deixar conhecer, embora sem fazer por onde. Mas isso são ainda suposições, ainda não deu pra perceber isso até a centésima postagem, além do que isto é um blog e não um oráculo. Talvez algumas coisas continuem ignoradas enquanto eu não buscar o jeito certo de conhecê-las.
Isso me lembrou Fernando Pessoa:
Sei que nunca terei o que procuro
E que nem sei buscar o que desejo,
Mas busco, insciente, no silêncio escuro
E pasmo do que sei que não almejo.
Muito introspectivo esse texto, acho que vou encerrar agradecendo a todos que além de lerem, de me visitarem ainda deixaram os comentários mais amáveis e que me deixaram imensamente feliz, obrigada.
PS: uma coisa é certa, quando começo a escrever sempre surgem mil coisas que gostaria de falar e que no final tenho que deixar de lado senão não seria um post de blog, seria um discurso de Fidel Castro (Pela extensão claro, longe de mim querer comparar isso aqui à inteligência dos discursos do homem, é claro que eu nunca li nem ouvi, mas dizem que duram mais de três horas. Tá vendo? Olha do que eu já estou falando, Dio mio...)
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
A frase do dia
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Dos guardados
É uma característica de quem fala pouco, mas valoriza muito o outro
* Copiado na íntegra coluna MR. MAX da revista VOCE/SA de maio de 2005.
** Escritor e palestrante; agora eu não sei, mas na foto da época era a cara do Richard Gere (Uow!).
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não.
A qualquer hora da noite me levanto, ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha, de vez em quando os cotovelos se esbarram, ele fala coisas como "este foi difícil" "prateou no ar dando rabanadas" e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,vamos dormir.
Coisas prateadas espocam: somos noivo e noiva.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
prendas do maranhão
Quase nada-Zeca Baleiro
(Acho que são os lençóis maranhenses no clipe, lindos iguais a música, ao Zeca.)
sábado, 18 de outubro de 2008
Fiquei parecida comigo?
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
terça-feira, 14 de outubro de 2008
poesia in crônica
Numas férias, meu pai apareceu antes do combinado para pegar minha irmã e eu na casa dos meus avós. Durante 400 quilômetros, falou que existiam pessoas boas e pessoas más, que aconteciam coisas que a gente não conseguia entender, que mesmo as pessoas más podiam fazer coisas boas e as pessoas boas, coisas más. Já quase chegando a São Paulo, contou que nosso vizinho, de 6 anos, tinha levado um tiro. Naquela noite, enquanto as crianças da rua brincavam – mais quietas do que o habitual, sob um véu inominável –, um dos garotos disse: “Bem-feito! Ele é muito chato”. Hoje, penso que pode ter sido sua maneira de lidar com uma realidade esmagadoramente mais forte do que ele. Meu vizinho, felizmente, sobreviveu. Nossa ingenuidade é que não: ficou ali, estirada entre amendoeiras e paralelepípedos, sendo iluminada pela lâmpada intermitente de mercúrio, depois que todas as crianças voltaram para suas casas.
sábado, 11 de outubro de 2008
O vestido mais bonito
Até meus nove ou dez anos de idade ou mais, as minhas roupas assim como as de minha irmã eram feitas por uma costureira, quando já estávamos com todas as peças “surradas” era a hora de minha mãe ir até a cidade escolher os tecidos e mandar fazer, geralmente conjuntinhos de uma cor só, ou vestidinhos. Essa era uma época de pura felicidade, os olhos brilhavam quando era chegada à grande hora de experimentar a roupa nova, pra ver se servia.
Numa dessas vezes, quando eu tinha uns sete ou oito anos minha irmã mais nova ganhou um conjunto e eu um vestido, não me recordo bem da cor e do modelo da roupa nova da minha irmã, mas do meu vestido não há como esquecer, era o vestido mais bonito que alguém havia feito, o comprimento era até os joelhos, simples, sem mangas, sem rendas, sem enfeites; o que havia de especial era o tecido, na verdade a cor do tecido, porque provavelmente era uma chita como as outras; mas sua estampa eram listrinhas fininhas de várias cores, nem berrante, nem apagado, era o arco-íris mas bem representado que eu já havia visto, e passava horas admirando aquelas listrinhas no meu vestido novo, tentando imaginar qual o início da seqüência das listras, como poderiam ser reagrupadas... eu me encantava. Achava que quando eu vestia aquele vestido mais bonito de todos, ficava linda, tinha certeza.
Um dia motivadas pela rivalidade entre irmãos, que no meu caso era agravada pelo ciúme que sentia da minha irmã caçula, depois de algumas provocações e teimas infanto- fraternais entre nós, decidimos que a pessoa mais indicada pra dizer afinal, de quem era a roupa mais bonita, era nossa mãe. Eu mesma sabendo da predileção e vantagem dos irmãos caçula estava certa que dessa vez isso não contaria porque, quem seria capaz de discordar que o meu vestido era o vestido mais bonito de todos?
E lá fomos nós, cada uma mais faceira que a outra, exibindo confiantes do voto daquela que era sem dúvidas a nossa predileta , nossos trajes mais belos e preciosos. Eu não sei como minha irmã se sentiu, pois nunca mais falei com ela sobre esse fato, talvez não lembre, era muito pequena, mas eu nunca vou esquecer de como me senti depois de ouvir que o conjunto dela era o mais bonito. Creio que minha mãe falou mais pra se livrar de nossa importunação, do que por qualquer outro motivo, talvez tenha pensado que eu entenderia por ser mais velha, ou não; mas depois de escutar aquilo, eu não consegui ficar na presença das duas e de mais ninguém, porque lembro que havia mais pessoas na sala, nem sei. Eu saí disfarçando a decepção e fui para o quarto dos meus pais, me escondi ao lado da cama, onde não podiam me ver, eu não queria chorar por aquele motivo bobo, mas também não podia conter nenhuma lágrima, acho que a certeza que eu tinha descia em cada uma. Eu continuei acreditando que meu vestido era o mais bonito, mas passei a acreditar também que só eu achava isso, ninguém mais, então eu poderia estar errada, e talvez estivesse feia com um vestido horroroso.
E daquele dia em diante, mesmo que me digam: o seu vestido é lindo, o mais bonito de todos. Mesmo que eu queira, eu não consigo acreditar. Mas também decidi que um dia, quando eu tiver filhos, nunca vou deixar que desacreditem da própria beleza, mesmo que jamais me questionem eu vou dizer a eles, para que nunca duvidem, que estão com as roupas mais lindas, que são os filhos mais bonitos desse mundo.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
des+conexo
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
egocentrismo
terça-feira, 30 de setembro de 2008
texto com fins terapêuticos
Segundo me lembro tudo que você tenta reprimir, vai pro subconsciente, some por um tempo, mas então quando você menos espera a bomba estoura. Mas eu acho que não escondo de mim mesma, tento ser o mais razoável possível, me mostro as razões e os porquês e poréns e acabo entendendo tudo, acredito (e torço). Fora que é tudo muito pessimista, eu prefiro mil vezes acreditar no papelzinho de chiclete. (Por via das dúvidas, desabafo nesse texto, vai saber, né?)
Viu? Já passou...
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
descrição de "eu" por mim.
Uma descrição consiste em uma enumeração de parâmetros quantitativos e qualitativos os quais buscam fornecer uma definição de alguma coisa. Uma descrição completa inclui distinções sutis úteis para distinguir uma coisa de outra. Descrição Caracteriza-se por ser um “retrato verbal” de pessoas, objetos, animais, sentimentos, cenas ou ambientes. Entretanto, uma descrição não se resume à enumeração pura e simples. O essencial é saber captar o traço distintivo, particular, o que diferencia aquele elemento descrito de todos os demais de sua espécie. "
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
bobagens
sábado, 20 de setembro de 2008
Uma trilogia perfeita sobre o mais nobre dos sentimentos
2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
3 E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
Luís Vaz de Camões
Monte Castelo
Composição: Renato Russo (recortes do Apóstolo Paulo e de Camões).
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor, eu nada seria...
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja
Ou se envaidece...
O amor é o fogo
Que arde sem se ver
É ferida que dói
E não se sente
É um contentamento
Descontente
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...
É um não querer
Mais que bem querer
É solitário andar
Por entre a gente
É um não contentar-se
De contente
É cuidar que se ganha
Em se perder...
É um estar-se preso
Por vontade
É servir a quem vence
O vencedor
É um ter com quem nos mata
A lealdade
Tão contrário a si
É o mesmo amor...
Estou acordado
E todos dormem, todos dormem
Todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade...
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor, eu nada seria...