Eu, hoje, acordei mais cedo/e, azul, tive uma idéia clara./Só existe um segredo. Tudo está na cara. (Paulo Leminski )
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
começo
Feliz ano novo desde já!
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
preciosidade
rosai por nós
assim na vida como no chão
a primavera de cada ano
nos dai hoje
encantai nosso jardim
assim como encantamos
o do nosso vizinho
e não nos deixei cair em tentação
de esquecer tuas flores.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Figuras de Linguagem
a falta de nexo
de sentido
ou sintático.
Pensamento
Interrompido
Desordenado
Delírio
É fim
e começo?
Mesmo sem
significado
sou compreensível.
Paradoxo.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
ícones, índices e símbolos
Apontamentos sobre aula de Texto em 22 de dez. 2011.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
A (in) experiência de viver na pós-modernidade
Dora Fried Schnitman. Introdução: ciência, cultura e subjetividade. In: Dora FriedSchnitman (Org.). Novos paradigmas, cultura e subjetividade, p. 17 (com adaptações). Aqui
PS: Acho bonito a capacidade humana de organizar e expressar o pensamento (inteligente) pela palavra, é quase ritmo, é quase lirismo, é quase música :)
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
acerto
domingo, 4 de dezembro de 2011
Crônica da rua nove
Era quase meia noite, acordo ouvindo vozes alteradas, carro acelera duma vez, freia bruscamente. Ela ou ele diz: “me dê a chave”. Ele berra: “e não apareça mais! Fica ai, então!” Ela bate a porta do carro e brada: “pode deixar. Vá com Deus!” O carro novamente sai cantando pneu. Não resisto, levanto e vou à janela. Vejo-a. Caminha apressada, olhando o carro sumir ao longe. Caminha pisando firme, certamente com um pouco de receio, pois vindo do lado contrário, uma figura aparentemente masculina, fumando, aproxima-se (uma mulher sozinha, uma rua escura tarde da noite e um estranho se aproximando, parece filme de suspense). Permaneci olhando, temi por ela, e me preparei pra soltar um grito e assustar o bandido ou pedir socorro, caso eu estivesse num roteiro de filme; mas era só minha imaginação fértil, e os dois cruzaram-se e seguiram seus caminhos indiferentes.
Continuei ali, até ela dobrar a esquina (não a do bar. Moro numa travessa). Dobrou a esquina, sumiu e me deixou pensando sobre passos firmes e a coragem que o orgulho dá, repentinamente, quando já não há nada que possa ser dito ou feito. E fiquei querendo, ser corajosa também. E seguir em frente, sem olhar pra trás, enfrentar os medos, dobrar esquinas, com uma dor, talvez; mas destemida, levando meu amor-próprio.
*(até hoje não houve nenhuma situação mais violenta que precisasse de intervenção policial, ou eu não acordei :)
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Aula nº 1
não faz sentido, dizer:
-Te amo (heresia morfológica)
Esse pronome não inicia a frase.
Pronuncio teu nome, então,
junto ao meu:
-Eu te amo (poesia antológica)
No fim, coração aprende.
Declara-se,
culto.
Mas, continua equivocado,
Falando certo.
Sentindo errado.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
saudações
Céu, sol (tímido ainda). Boa sensação, a de amanhecer junto com o mundo, devagarinho despertar o corpo e a mente pras atividades, mesmo corriqueiras de passar o café e ligar o rádio pra harmonizar as sinfonias que adormecem dentro da gente; as quais propagamos no gesto, na voz, no nosso jeito de estar, aqui.
Boa tarde pra você.
sábado, 26 de novembro de 2011
(...)
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que falhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
Mia Couto
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Linhagem
Chega a hora, o instante. Imaginar já não basta. Aprender também, mas fazer da palavra o avesso do verso, da prosa, o existir primeiro do que se viu e sentiu. Encantar o cotidiano com as letras e os sons que vibram junto, que pulsam a cada batida no peito, a cada sopro de ar que expiramos e inspiramos.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
para hoje (e amanhãs)
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
contido
a dor
ar
até parece que a gente gosta de lembrar daquilo tão dolorido, mesmo que no passado já tenho sido bem colorido. até parece que a gente manda, a mente muda, desanuvia. até parece que quem vê crê, que a gente acredita que vai passar; vai passar, rapidinho. mas enquanto tudo isso insiste ainda, dou um pequeno passo, faço um verso do que resta e o resto se esvairá, devagar na poesia e na prosa de cada dia.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
às vezes
To vendo o arquivo desse blog, decrescendo em números de postagens a cada ano. Hora de parar? De escrever não, claro. [Que essa certeza esse espaço me deu. Sou feliz escrevendo, despretenciosamente escrevendo. Talvez bem mais despreocupadamente no início, quem sabe por isso os silêncios maiores agora.] Mas de tomar novos rumos, ocupar outros espaços, mudar o foco. É difícil resistir ao desejo de que as coisas dêem muito certo, sempre ou continuem nos agradando. É difícil entender que as vezes, as coisas, as pessoas, mudam, escolhem, desistem, insistem, desbotam, retornam, distanciam ou aproximam-se (de outras coisas ou pessoas ou idéias). Mas nada é tão pessoal assim, nem eu mesma sou a mesma de ontem; há um fluxo, há um movimento que reconfigura todas as circunstâncias, todos os sentimentos, todos os pensamentos, indefinidamente; eu o sigo. E agora começo, devagar a aceitar os rumos que me cabem, sem no entanto isso significar resignação, não se explica. Só entendi, que há mais gente com as mesmas dúvidas, os mesmos medos, os mesmos desejos, os mesmos sonhos e é bonito se enxergar no outro. Continuo sem saber se é hora do ponto final ou reticências, pausas, sumiços, presença. Mas seja qual for a decisão, será o que eu poderei fazer de melhor, viver de agora, esse instante.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
espelho
Estou falando de algo que é só meu, que ninguém faz idéia, que o mundo desconhece, que eu trago do berço, do antes, do primeiro piscar de olhos. Não é um lugar, nem uma sentença. Também não é uma crença, tampouco uma lenda! Não é com alguém, é comigo. É inato, fortuito, inviolável. Está oculto, encoberto, imperceptível. Não, eu não estou doente…nem louca! O meu segredo é sobre mim. Quantas coisas sobre você só você sabe?
Existe algo em mim que é sem-par, que me torna dessemelhante, que me desarvora. Minha verdade clandestina é o que me faz ser caminhante, que me dá condições para supor os porquês da minha existência, que me propicia frentear a vida. O meu mistério me pertence. E você, tem um mistério que é só seu, que te dá vantagens, que te auxilia?
Se você me der a sua palavra, eu lhe concedo um voto de confiança!
E então, posso lhe contar?
Repare em mim! Ora, vamos, com mais tento, com mais ternura, com mais tato! Está vendo? Experimente de novo! Sem urgência, sem ânsia, sem alvoroço. Para saber de mim, você vai ter que desperdiçar o seu tempo! Você teria disposição suficiente para sair de si e vir até aqui me conhecer com propriedade?
Chegue mais perto, pode se aproximar! Não é fabuloso?
Eu escolhi você, dentre todas as pessoas do mundo, para confidenciar o meu segredo. Esse que é parte de mim, que me deforma e me diferencia: o meu terceiro olho! Esse globo camuflado bem no meio da testa, essa coisa benta e monstruosa, maldita e dadivosa! Um sexto sentido que não se adequa, que não se encaixa.
Estou sempre na divisa entre dois mundos: o visível e o invisível! Meu terceiro olho me permite contato com uma série de coisas que, cientificamente, simplesmente não existem! Então, eu nunca sei onde estou: mais pra lá ou mais pra cá? Talvez por isso eu seja tão inquieta. Andarilha, foragida, mutante.
Eu enxergo a vida em terceira dimensão!
Esse é o meu segredo…que agora é nosso!
E você? Seria capaz de me contar o seu?
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
sábado, 29 de outubro de 2011
canto
A longa senda marrom em minha frente, conduzindo me para onde quer que
[eu escolha.
A partir de agora não peço mais pela boa sorte, pois eu mesmo sou a boa sorte " Walt Whitman
Para mim, que quase sempre escolho o conforto e a segurança daquilo que conheço e acomoda minhas incertezas. Para mim que sempre opto pela calmaria do cotidiano, pela tranquilidade da rotina. Surpresa. Entusiasmo. Receios também. Mas o espaço maior está reservado para a sensação de liberdade, que veio junto com a coragem de romper com os próprios medos. De não me deixar paralisar. Como li em algum lugar outro dia: "agir é arrancar da angústia sua certeza". Pensei, senti, escolhi o novo, decidi mudar. Que venha a saudade! Que venham os desafios, as surpresas! Sinto a alegria do que movimenta a vida, a mudança. Me emociono com o "você vai ser feliz" vinda dos amigos que compartilham a esperança na felicidade de quem a gente quer bem e retribuo porque é recíproco e verdadeiro. São coisas assim que levo e deixo nos tempos e lugares onde me encontro. Porque algumas coisas nunca mudam, e é preciso preservar aquilo que já construimos e valorizamos: amizades, afeto, histórias. Vou continuar escrevendo, buscando a inspiração inerente aos momentos e aos movimentos que a vida faz.**
**texto escrito sob a licença do afeto que está no exagero de contar sobre o que nos afeta, diretamente. :P
* canção da estrada aberta (poema na íntegra)
domingo, 23 de outubro de 2011
pra hoje
Não precisa ter medo
Nem sair correndo
O amor nasce pequeno
Cresce, fica estupendo
Às vezes o amor está ali
Você nem tá sabendo
O amor tem formas, formas, aromas,
Vozes, causas, sintomas
O amor...
É mãe, é filho, é amigo,
Às vezes num canto esquecido existe amor
Antigo, antigo
O amor que cuida, parte e assusta
Que erra e pede desculpas
Às vezes o amor quer ferir
E se cura doendo
O amor tem formas, formas, aromas,
Vozes, causas, sintomas
O amor...
É pausa, silêncio, refrão
E explode nessa canção
O amor vai te contar
Um segredo, fica atento, repara bem
Que o meu amor é todo seu
Antigo
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
correspondência
Cito, então:
"Fere de leve a frase... E esquece...
Nada convém que se repita...
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa cem mil vezes dita." (Mario Quintana)
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
milagre
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
para ouvir ou dançar
Gosto do lirismo suave com que cada nota denota uma tristeza que se encerra no momento em que é dito um verso da música, inspirando a vida a fluir para momentos alegres e a nos entregarmos a essa ciranda de ritmos variados; onde ora dançamos, ora choramos. Gosto do modo como somos afetados pelas emoções de um artista, de um músico ou de um poeta, nas quais reconhecemos a nossa própria vibração, os sons que produzimos com o coração e com a mente, quando ao invés de os fazermos ecoarem mundo a fora, guardamos dentro do silêncio e os encontramos na voz alheia. Que bonito tocar ou ser tocado pela arte, delicadamente.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
à vida, ávida
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Eram 13 h 40 e eu esperava embaixo de uma barraca de lanchonete de rua, a imobiliária abrir na volta do horário do almoço. O céu cinza e empoeirado, no auge desse período seco, tornava difícil respirar, devia fazer uns 32 graus, não sei, na periferia não se veem aqueles postes eletrônicos que indicam temperatura, hora e data, só na capital, assim como outros serviços.
Pois bem, o calor estava mesmo insuportável e eu olhava os carros passando e poluindo o ar; o sol quase derretendo os prédios e asfalto; tive a impressão de que eu não sou tão urbana quanto penso e desejei viver um dia numa casinha no meio do mato, rodeada de árvores, perto de um laguinho, pensei no lugar que nasci. Lagoinha. Hum a minha rede na varanda e as palmeiras no horizonte, verdinhas, aquele vento...
Já estava quase sonhando, um casal atravessa a faixa de pedestres de mãos dadas, sol a pino, ainda; e era como se estivessem atravessando um caminho de relva em plenas oito horas da manhã. Tão frescos, reluziam a uma felicidade apaixonada sabe? Aquela de quando só se enxerga a si e aquele a quem se ama; tudo vibra, tudo emana alegria, tudo parece bonito. Nem parecia que existiam carros, motoristas grosseiros olhando a bunda da garota enquanto passavam, nem poluição, nem impaciência.
Parecia que só havia os dois e aquilo que sentiam e era bom o suficiente e para sempre. Voltaram, com o refrigerante que haviam ido comprar no mercadinho, igualmente inspiradores e amáveis. E eu voltei à minha pequena significância, se eles na sua simplicidade tornam o mundo indefectível e terno, em meio ao caos do cotidiano; quem sou eu para apontar algum defeito nessa vida?? Suspirei. Relógio desacelerado momentaneamente; retornei ao ritmo indiferente das coisas e fui pagar meu aluguel.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
por escrito
E depois de uns dois parágrafos, esses soluços mais espaçados, dão conta de certo alívio que é transmitir o peso do sentir para o sentido de cada frase; uma oração. Sinto-me absolvida pelas intenções nunca claras, nunca óbvias, nem para mim. Ladainha finda, faço coro a essa prece:
terça-feira, 6 de setembro de 2011
propriamente
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
identidade
Escrevo porque sou insaciável. Completamente insaciável. A profusão de possibilidades latentes que pulsam frenéticas em volta me fazem assim. Almejo a perfeição descaradamente, enquanto quase todos a espreitam invejosos e resignam-se previamente pela certeza da impotência. Escrevo porque calo. E assim processo as impressões do exterior sob os afagos da solidão enclausurada. Escrevo porque sou só. Porque sou incompreensível e não compreendo. Como todos o são e o fazem. Escrevo porque amo. E meu amor é grande e maior. Sempre maior.
Escrevo. E isso não basta. Diz-me o que basta e serei paz.
Escrevo.
Porque sou pequena. E não caibo em mim.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
por email, não fim
Primeiro o sentimento, depois o significado.
O desejo diz além do sentido, ou melhor,
não diz, porque trata do que é intangível.
E não há tradução, nem nomes, é saber ou não saber.
Sentir ou não sentir. Tocar ou não tocar.
Sem retoques, sem receios, sem critérios.
Desejar traz no cerne a incerteza da
satisfação, mas não a certeza do improvável
e brinca com as possibilidades como se brinca
com as palavras:
significa
mente
significativamente
cativa
cativa mente
Assim.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Pequeno tratado pessoal das coisas essenciais e outras prescindíveis
Reparo quando possível. Desacredito quando dizem de planos que não são meus, mesmo que eu não tenha algum. Duvido dos adjetivos que não ressoam n’alma, que não inspiram afeto. Revelo, tímida, revelo o que sou, o que penso, o que sinto. Desagrado. Agrado-me desse atrevimento sutil de me orgulhar dos meus dons, a sensibilidade, a inteligência, a esperança, o sentimento da poesia, mesmo sem ser poeta. Dispenso quem não compartilha com ternura o meu jeito de viver, quem aponta cruel, quem desdenha das coisas que trago no coração. Porque sei quais tesouros não se desgastam. Distancio e aproximo conforme este tratado em construção, das coisas que acredito, por enquanto. Não é arrogância, é escolha. Procuro a leveza, a alegria. Essas coisas que significam, transformam; pacificam-me.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
sabedoria
agudeza para entender,
capacidade para reter,
método e faculdade para aprender,
sutileza para interpretar,
graça e abundância para falar.
Dê-me, Senhor,
acerto ao começar,
direção ao progredir e
perfeição ao concluir."
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
domingo, 31 de julho de 2011
sexta-feira, 29 de julho de 2011
intertexto
É a gente mesmo, demais". Guimarães Rosa
Entre textos e contextos, visitas à ilha, voltas ao continente, revoltas impertinentes, internas; compartilho a poesia vista, que também me toca nesse instante, num outro estado, que seja; este mais próximo mesmo do sossego ruidoso que me embala nesses tempos estranhos; em que são raras e difíceis colocar em linhas as palavras, por aqui.
Sinto, graças a Deus, feito melodia, a verdade na sabedoria do poeta, a gente sendo demais pelo silêncio. Sei que esse calar é também verdade e intensidade de vida; urgente, pulsante, que não sabe nem como, nem quando, dizer.
Não digo. Não sei... Aguardo outro pulsar, outro fluxo onde seja a vez da voz, da fala, do canto, do encanto, da escrita que queira e possa ser partilhada. Agora, não se exprime. Silencio.
sábado, 23 de julho de 2011
roteiro
Um endereço que freqüente sem morar..." Marisa
Eu fui lá e voltei, lá é dessas viagens de ida e volta, que repetimos, que não tem tamanho, porque são medidas por afeto às pessoas, aos lugares, às histórias que lá vivemos; são imensuráveis, são inesquecíveis, porque são a matéria da qual fomos sendo feitos, com toda a dor e delícia dessa sorte de cada um. E de lá, não se volta vazio, volta-se cheio de saudade, de sensações, de idéias, de reflexões.
um dia vai ser
só não sei quando
sábado, 9 de julho de 2011
cadência
segunda-feira, 4 de julho de 2011
pra quem escreve, pra quem se inscreve
Concurso Cultural :Ler e Escrever é Preciso do Instituto Ecofuturo
---> http://www.ecofuturo.org.br/concursocultural
PS: Podem participar alunos de Ensino Fundamental a Médio, EJA, Professores, Profissionais de Biblioteca e Educadores Sociais.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
redimensionar
por um triz.
Qualquer coisa
é a última gota
d’ água.
Rio
Sorrio
Quero nadar contra a maré.
Amar é...
Sonhar e encontrar,
o mar.
terça-feira, 21 de junho de 2011
trecho
Agora, depois de um tempo, volto a encontrar sentidos e coisas pra guardar como valiosas. Reaprendi a ler as histórias que me descrevem. Olhando e ouvindo aqueles rostos comuns na fila do banco ao meu lado, na parada de ônibus, o estranho mais próximo, de quem não suspeitamos que venha qualquer semelhança, humanidade.
Imensamente viva. E isso não implica que concluí que o importante é ter algo a contar, agora ou um dia. Eu só estou, talvez, encontrando um modo de ver, e sentir, que era meu, cheio dessas coisas intangíveis que escapam ao toque das mãos, dessas coisas suavemente densas, carregadas da poesia que minha alma anseia e busca, imperfeitamente.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Sinto
Sinto mais
Dia de check-up, andar de uma especialidade a outra, embaçar a vista pra ver de perto as coisas, examinar as entrelinhas, avaliar o quadro geral, andar na rua pra lá e pra cá de manhã e a tarde em busca de estar, bem. O diagnóstico veio antes dos resultados clínicos, o coração se fechou de um lado, pra caber mais. Quer caber o amor e o mundo e, vai. Descobri que a beleza e o encanto da vida andam pela mesma calçada que nossas mazelas mais tristes; a última meio cabisbaixa durante o entardecer. A gente caminha ao lado e tenta desviar os sentidos nessas horas, mas sente. E só. O remédio é acolher nossa solidão inerente e acomodar os afetos restantes, tudo junto, na medida, cuidando da alma e do corpo, literalmente.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
enquanto silêncio
perdoai, amigos, meu linguajar de símbolos tão velados
(...)
e não há tempo para temer
e não há tempo para chorar:
a Valsa
não tem perdões, obriga-nos a valseá-la
a Valsa
não sabe nomes, envolve-nos nos braços
a Valsa
ela mesma não se chama Valsa —
perdoai, amigos, falar-vos nesta linguagem
há algo em mim que quer brotar com força:
talvez um simples poema
talvez (perdoai) apenas
esta vontade, imensa, de falar.
Antonio Brasileiro enfeitando as margens de Suave Coisa ( blog tão lindo quanto a poesia)
quarta-feira, 1 de junho de 2011
enquanto calo
É preciso falar de nós dois
É preciso falar de estar vivo
E do que nos espera depois
...
É preciso brindar o destino
É preciso gritar começou
Se jogar nessa dança na vida
Sem medo do escuro
Impossível não falar de amor
É preciso falar
...
domingo, 29 de maio de 2011
vertigem
Quando abri os olhos vi, que muitos se acovardaram temerosos da liberdade de escolher o risco que é andar ao encontro do inesperado, do afeto. Eu quis mesmo me desequilibrar, perder os sentidos, viver esse agora sem ressalvas, mas parece que foi muito, o corpo não suporta certos deslimites e fiquei zonza, tonta de realidade.
Felizmente eu sei que posso me deixar cair, há uma rede tecida por várias outras linhas que se ligam a mim, amortecem qualquer queda. Porque há sempre o cuidado recíproco, o amor primeiro, entre nós.
Tento acabar com essa vertigem, fazendo minha própria comida, me alimentando de delicadezas, de outros sonhos. E entre um Dramin e outro, ouço Marisa Monte para reter muito mais poesia enquanto a sonolência tenta me vencer. Mas estou certa que estou acordando pras pequenas felicidades, se for preciso torno-me equilibrista ou faço laços com essas linhas tortas por onde me escrevo.
sábado, 21 de maio de 2011
Meu amor não sabe
que ele não cabe
no quotidiano
No preto no branco
do meu dia a dia
Quer é colher flores
perfumar os quartos
recitar poesia
escrever nos muros
Meu amor é burro
E não se resigna
ao papel reservado
neste acordo tácito
que ninguém assina
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Não consigo perceber,
mas a razão diz,
há um bom sentido
em não se entender
Ó vida! Que queres dizer-me
com essa incerteza do humor,
desamor?
Sou feliz ou não sou?
O segredo é este?
Mergulhar na vontade,
estar mais certa que antes,
segurar fragilidades...será?
Pensar, sorrir, amar...
Ah! o mar...ainda bem,
sou capaz de mudar o prumo
noutro rumo,
de repente...
domingo, 15 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
alvorecer
Já é de dia ou é de noite??
Ando anoitecendo cedo
noturna para alguma alegria.
Mirando lua e estrelas,
buscando esclarecer
pra desanuviar.
Mas sou do signo da claridade,
regida por manhãs transparentes
e tardes ensolaradas.
Minha ternura nasce todo dia,
junto com o sol...
segunda-feira, 2 de maio de 2011
À Ana Cecília
quarta-feira, 27 de abril de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Deve haver um lado bom em conhecer todo esse conto, entender o enredo. Acontece que nesse momento sou parcial e só vejo um lado dos fatos, o meu. Suspeito que perceber essa realidade que nos afronta insensivelmente seja questão de escolha.
Sempre lembro de Gullar e Leminski quando dizem dessa clareza que não escapa aos sentidos e que nos insulta, independente da nossa vontade de que as coisas fossem diferentes, tivessem outros significados, mas não tem. Tudo é tão claro que ofusca.
Penso nessa história fantasiosa que agora li, esta que fragiliza desde os primeiros desejos, que brinca de faz de conta mas depois desmente, quebra o encanto; mas penso também na possibilidade de reconstruir outros sentidos e sentimentos num possível romance que eu ainda venha a ler ou sonhar porque eu acredito no outro lado de tudo que ainda não vivi; existe muito mais além desse momento que agora me prende.
Espero a liberdade que começa com um olhar novo e curioso para o instante seguinte, com poesia.
domingo, 24 de abril de 2011
um caminho só
vou buscar alguém
que eu nem sei quem sou
Eu escrevo e te conto o que eu vi
e me mostro de lá pra você
guarde um sonho bom pra mim
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Os minutos trazem um cansaço ansioso dos cronômetros diários, resistir é difícil, mesmo assim escolho lutar pelo ânimo, seguir munida de inspiração, mesmo aquela colhida nas coisas mais frágeis, nos sentimentos mais delicados. Talvez seja só uma vontade de viver de brisa, levemente, leve mente, leve...
terça-feira, 5 de abril de 2011
Eu venho dos anos, das eras, que longe se acham daqui,
Contigo cantei a canção no espaço maior,
Em forma de luzes de um mundo melhor
Mas foi necessário partir
Eu lembro da primeira vez que te vi,
Milênios de instantes de mim para ti,
Num só paralelo de imensidão
Estamos aqui.
Viemos de longe, do largo, do alto
Profundo
Cercado de inícios de todos os mundos
Sem poder parar.
(...)
Oliveira de Panelas, poeta e repentista
moradia
*(morador de Trizidela do Vale -MA, sobre as casas entregues para as vitimas das enchentes no interior do estado do MA, e que já estavam apresentando risco aos moradores por causa das rachaduras. Assista aqui.)
quarta-feira, 30 de março de 2011
"Mariar"
à propósito ou despropósito: "...seja você mesmo, porque ou somos nós mesmos ou não somos coisa nenhuma. E para ser si mesmo é preciso um trabalho de mouro e uma vigilância incessante na defesa, porque tudo conspira para que sejamos meros números, carneiros de vários rebanhos- os rebanhos políticos, religiosos ou estéticos. Há no mundo ódio à exceção- e ser si mesmo é ser exceção. Ser exceção e defendê-la contra todos os assaltos da uniformização: isto me parece a grande coisa."
Monteiro Lobato
Bom, se eu "mariei", releva, que trata-se apenas de mais uma teoria pessoal totalmente insignificante pós final de BBB. E não to ganhando um real por isso que dirá uma milhão e meio! ha ha ha ;)
domingo, 27 de março de 2011
segredo
segunda-feira, 14 de março de 2011
Meu amor se alimenta de esperas,
esta noite ela vem ou não?
O futuro não existe
e torna tudo possível.
Teus lábios na minha orelha
sussurram a página zero
de um livro a ser escrito.
Um livro de areia
à espera de uma onda
de um vendaval,
de um final.
Certamente imprevisível
no oráculo ilógico do acaso.
Mas o meu amor permanece
impassível, inventando passatempos
esperando latente
espumante alvorecer.
Leandro Wirz, trazendo pra gente a poesia sempre oportuna e inspiradora :)
sábado, 12 de março de 2011
mormaço
quinta-feira, 10 de março de 2011
espécie de acessório ou sobressalente próprio,
arredores irregulares da minha emoção sincera,
sou eu aqui em mim, sou eu.
quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim."
in : http://pafurada.tumblr.com/post/114205896/sou-eu-eu-mesmo-tal-qual-resultei-de-tudo
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
lembrança
domingo, 27 de fevereiro de 2011
conviccção
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
questões
cortantes
que não deixam
marcas?
Quais as dores
suportáveis
que não dão
trégua?
Quais as perguntas
absurdas
que fazem
sentido?
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
resolução I
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
passatempo
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
aconchego
Pai: Quanto é 6 x 9?
Mãe: .... (apreensiva)
Irmã mais velha: ela não sabe multiplicação, não disse?! Quanto é 6 x 9?? 6 x9?!
Menina: ... (com cara de que estava fazendo milhões de cálculos e nervosa)
Avô: também, com tanta pressão assim, ninguém consegue.
Ah que saudade da compreensão e da proteção que só os avós dão.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
sim
Faz minhas noites
mais
leves
Faz meus dias
mais
breves -
intensos.
Faz meus momentos
mais
vivos
Faz meus risos
mais
ricos -
sinceros.
Faz meus instantes
mais
inteiros
Faz minhas horas
mais
agora -
eternas.
Leandro Wirz (tava na hora do poeta aparecer aqui e nos ensinar desejos...)
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Salve!

imagem: arquivo pessoal
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
segundo registro

Diário de bordo
Trilha sonora: Não olhe pra trás- Capital Inicial
"Como sempre estou/Mais do seu lado que você/Siga em frente em linha reta/E não procure o que perder
Se não faz sentido, discorde comigo/Não é nada demais, são águas passadas/Escolha uma estrada/E não olhe, não olhe prá trás"
Foto: Rodovia Belém Brasília, arquivo pessoal