terça-feira, 21 de junho de 2011

trecho

"Sou o espaço onde estou. " Noël Arnaud

Roubaram minha inspiração. Levaram os silêncios que eu guardava dentro, aqui. Fiquei perdida dentro de pensamentos ruidosos, era difícil distinguir o que me pertencia como peso e prenda e prumo, questionei mesmo aquilo que me constitue.
Agora, depois de um tempo, volto a encontrar sentidos e coisas pra guardar como valiosas. Reaprendi a ler as histórias que me descrevem. Olhando e ouvindo aqueles rostos comuns na fila do banco ao meu lado, na parada de ônibus, o estranho mais próximo, de quem não suspeitamos que venha qualquer semelhança, humanidade.

Hoje precisamente, ao ouvir umas dessas histórias que não acreditaríamos se não nos contasse o próprio protagonista, o próprio ator; pensei em quais histórias dessas ou de outras eu existo, tão tristes, tão bonitas, tão heróicas, tão comoventes quanto aquela. Não sei dizer a sensação de compaixão que é se perceber gente, falível, forte, bonito, feio, triste, feliz, vivo.
Imensamente viva. E isso não implica que concluí que o importante é ter algo a contar, agora ou um dia. Eu só estou, talvez, encontrando um modo de ver, e sentir, que era meu, cheio dessas coisas intangíveis que escapam ao toque das mãos, dessas coisas suavemente densas, carregadas da poesia que minha alma anseia e busca, imperfeitamente.

3 comentários:

Guilherme disse...

Sempre cabe encontrar um novo jeito, um novo tato, um novo olhar, pra fazer canção, pra fazer canto nosso e acolher quentinho o coração! Ainda que tantas coisas sejam inevitáveis, ser feliz também é. ;)

Ana Aitak disse...

Ainda bem. :)

Hugo de Oliveira disse...

Viajei em suas palavras.


abraços