sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Passageiro

"Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
(...)
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional. "

Carlos Drummond de Andrade (valeu Rafa!)
Por incrível que pareça, antes de receber o email com o texto com o trecho acima, estava pensando em escrever algo sobre essa mania de achar que só o que nos faz feliz é aquilo que ainda não temos, porque parece que é exatamente isso. Houve um tempo em que coloquei minha felicidade numa bicicleta e muito tempo depois quando eu deveria ter a felicidade, aquilo era só um objeto sem importância alguma. Não é horrível que façamos isso com pessoas? Depositarmos em alguém nossa felicidade, além de contraditório (pra ser leve), não faz o menor sentido. E apesar disso ser de fácil compreensão, inacreditavelmente é o tipo de coisa que fazemos, sabendo que vai dar errado, mas mesmo assim fazemos. E sofremos. Então pelo jeito é inevitável, mas podemos aprender tudo, e também a ser, a sentir, a viver. Assumindo a fala da primeira pessoa, Eu preciso aprender mais de tudo isso, mas sem deixar de sonhar um pouco, porque não dá pra viver só de razões todo tempo, eu penso. Nem de certezas (que pena), nem coerência, e por isso essas linhas aqui. Tortas, tristes e melancólicas quando o que eu queria mesmo era copiar esse poema do Carpinejar, daqui ->(http://poucascoisasmuitas.blogspot.com/) . Porque muito do que eu rascunho nesse blog aqui, vem na mente, nas viagens diárias dentro do bus, tentando chegar em mim. Mas quando eu estou bem perto de chegar, vejo que estou um tanto perdida. Isso não é bom e, nem o fato de às vezes pensar que serei mais feliz quando tiver um carro.

Um comentário:

_Santiago disse...

eu adoro essas palavras de Drummond junto com as suas. eu acho que esses nossos tropeços aparentemente propositais são necessários; já viu no dicionário que o antônimo também faz parte da definição de uma palavra?
então conhecendo a dor, o sofrimento, estaremos dentro do conceito da felicidade, do prazer. de uma forma perdida, mas dentro dele. somos um labirinto, eu acho =)

mil beijos!!