terça-feira, 10 de março de 2009

reticências

...e é difícil mesmo os pontos finais, consigo as pausas, outros sinais. E nem sei por que isso, se nunca realmente me apropriei; talvez seja o motivo, a indefinição. E planejo rituais como marcos de mudança, de rompimento. Tem um poema de Fernando Pessoa recortado do jornal de terça que fala do que poderia ter sido, desse quase tão bonito, esse pensamento passageiro e risonho. E tem também uma música, um canto de despedida sem mágoas, como um hino à liberdade, mas eu não consegui ainda realizá-los, compartilhá-los, justamente porque não tenho certeza se a hora é essa, se é fim, se acabou, mesmo com todas as provas à vista, todas as provas à mão. E não gosto de voltar atrás. Eu nunca acreditei que fosse possível não reconhecer e aceitar verdades tão cruas. Deve ser porque também é meio dolorido, e isto sempre nos foi mostrado como algo a ser evitado. É mesmo só contradição. Mas como ainda sou eu quem escrevo essa história, qualquer hora dessas eu termino tudo e ponto

2 comentários:

Guilherme disse...

Toda vez em que há um ponto final, há a espera para uma nova frase, uma nova idéia, um novo pensamento. Todo fim nos leva a um recomeço, inevitavelmente. O que nos dá medo é que não sabemos o que virá na próxima frase, no parágrafo seguinte. Isso quando sabemos se somos nós mesmos quem escrevemos! Embora duvide muito disso..

Obrigado pelas suas palavras de carinho que recebi no msn! Muito contente fiquei. Muito mesmo! Beijos!

Jack disse...

Queria que algumas histórias simplesmente acabassem, sem ponto. Apenas terminando, suave... como se pudéssemos esticar a última sílaba da história. Até ela ficar da cor do papel. E sumir...

Ana, regra sem exceção: Toda mudança gera conflito.