segunda-feira, 7 de abril de 2008

Paladar

Ufa, enfim o último texto sobre os sentidos...

A primeira palavra que vem à mente ao falar do paladar é sabor, não só esse gosto dos alimentos, mas o gosto pela vida. Por isso essa ligação forte que fazemos entre lembranças, épocas de nossa vida e comida. Sempre temos um doce que marcou nossa infância, uma especialidade inigualável feito por nossa mãe e até mesmo as frutas roubadas em algum quintal na infância.Pra mim uma das melhores lembranças vem com um tipo de mingau feito com leite quente e farinha que era um manjar dos deuses, eu nunca imaginaria que a frequência com que aparecia no café da manhã era resultado da falta de alternativas, chego a quase sentir o gosto na boca, lembrando daquele tempo; cada um de nós cinco com sua tigelinha pessoal esperando a sua porção, que era saboreada entre assopros e alegria. As balas de hortelã e biscoitos sortidos que meu pai trazia a cada ida quinzenal à cidade eram aguardadas como quem espera o que de mais gostoso existe no mundo. Hoje as mesmas balas, os mesmos biscoitos não despertam as mesmas sensações. As expectativas mudam, os desejos mudam e com eles o que gostamos. Depois da televisão passei a desejar o morango com creme de leite que a moça do comercial fazia crêr não existir nada igual, o que mais tarde pude comprovar não era bem assim. Também desejava; aos seis, sete anos de idade; saborear maçãs, pessêgos, uvas e demais frutas que desconhecia; com a familiaridade com que saboreava as goiabas do quintal ( que eu mesma pegava nos galhos mais altos e arriscados, o que me rendia às vezes alguns acidentes, felizmente meu anjo da guarda sempre trabalhou bem). Mais tarde também percebi, que devia ter pensado menos nessas raridades e ter valorizado a fartura de goiabas, mangas e cajus. Vez ou outra ainda me pego realizando um pequeno desejo do genêro, e que pouca satisfação me trazem hoje em dia e cada vez me convenço mais que nada traz um sabor em si mesmo, cada um de nós dá um sentido, um sabor diferente a tudo, a vida.Nós a deixamos doce ou amarga, até azeda de acordo com o que fazemos e, ou esperamos, e que por mais ruim que possa parecer algumas vezes, certamente é melhor que a insipidez.
um beijinho pra quem chegou até aqui (o doce, claro rsrs)

6 comentários:

Guilherme disse...

Obrigado você menina!

Beijos com gosto de céu azul! :)

Mauricio Babilonia disse...

gostei da idéia de escrever sobre os sentidos, to me devendo uma lida em todos eles
a leitura do gosto foi muito boa, eu adorei! me lembrou das minhas mangas de uma infancia distante =)
Ana é um nome lindo. Daniel Ramalho adora uma Ana!

Paulo Castelo Branco disse...

Belo!Mais do que belo!Lembrei do gosto bom de pitomba, azedinho e maravilhoso.Lembrei da minha infância.

Ps.: Muito obrigado pelo comentário no meu blog.Me senti muito lisonjeado por ele.

José Rodrigues (JR.) disse...

obrigado por ter visitado tambem o experimentando versos, mas não sou eu o moço do chat rs eu adoro que visitem e comentem em meu blog, bem como, adora visitar e comentar no blog de outras pessoas. ok

um abraço,

luz disse...

Da gosto de ler !!!! rsrsrs bjo.

Mauricio Babilonia disse...

não sei, é complicado...

mas não tenho pressa =)

essa Ana (você) é de onde?