quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Continuação
"Lembro-me antigamente do futuro." Dante Milano

Aniversário. Idade. Tempo. Inevitáveis reflexões. As últimas registradas foram há uns cinco ou quatro anos atrás, numa das antigas agendas porta-tudo. E hoje e aqui de novo fazendo algumas das mesmas perguntas, ou mesmo tentando formular as questões corretas. Acho que a minha frase de apresentação do perfil pra este espaço, colocada aqui como algo temporário para ser substituído por algo mais consistente ainda esta valendo, o que permanece é a inconstância, o movimento, as incertezas, os desafios. E mesmo que aqueles mesmos princípios essenciais que me constituem nunca desapareçam por completo, as experiências e o conhecimento das coisas e dos fatos vão lapidando ou dilapidando, quem sabe, alguns deles. E ainda permaneço a mesma embora mude constantemente. Ainda vejo uma menina que se assombra com este mundo incompreensível, e ora ou outra eu sou aquela mulher que eu via no meu futuro, mas diferente do que eu pensei que seria, que faria. Ainda assim não me desconheço, eu sou íntima de mim, me reconheço em cada gesto, pensamento, atitude. Admito que eu preciso deixar de olhar a vida, apenas daqui da minha janela, que talvez eu precise fazer algo que nunca pensei em fazer, conhecer os quatro cantos do mundo, morar em outro lugar ou apenas plantar árvores, escrever livro, ter filhos e tudo aquilo que se espera de alguém como eu. Quem sabe assim, finalmente mude, cresça me despeça um pouco de mim, seja outra, me estranhe. Quem sabe isso seja necessário? Quem sabe falte mais coragem? Eu não. Sei. Eu busco saber, fazer, ser quem sou. As questões importantes eu vou formulando, respondendo enquanto existo, eu só sei escrever minha vida assim...

PS: E quem também além de Dante Milano já falou tudo sobre essa impermanência toda foi Antonio Brasileiro ao dizer:
"«Nenhum lugar é onde estamos./ A vida é para passar.»

Um comentário:

_Thiago disse...

Aplausos para este texto MARAVILHOSO! Sobre a essência do amor próprio, que mesmo difuso, é mesmo amor. Sobre querermos nos desvendar, sobre aceitarmos as perguntas que ainda não podemos responder. E não mais temê-las!
Um bjo!