terça-feira, 5 de abril de 2011

(...)
Eu venho dos anos, das eras, que longe se acham daqui,
Contigo cantei a canção no espaço maior,
Em forma de luzes de um mundo melhor
Mas foi necessário partir

Eu lembro da primeira vez que te vi,
Milênios de instantes de mim para ti,
Num só paralelo de imensidão
Estamos aqui.

Viemos de longe, do largo, do alto
Profundo
Cercado de inícios de todos os mundos
Sem poder parar.
(...)
Oliveira de Panelas, poeta e repentista

moradia

" (...) uma casa é infinita." Francisco Daniel*

A fala simples e quem sabe equivocadamente escolhida para expressar a indignação diante do fato de ver a própria casa ruir aos poucos, demonstra os deslimites da linguagem que mostra não apenas a objetividade da opinião, mas toda a emotividade que a fundamenta. Ao dizer da concepção de durabilidade de uma casa, o morador diz mais. Diz do significado poético e afetivo da palavra, diz além. Casa é para ele o lar, o lugar onde reside e residirá indefinidamente os seus, a família, as lembranças, as histórias, os afetos; essas coisas que se passam no lugar onde nascemos, crescemos e vivemos e não tem fim, não se encerram num imóvel, não se resumem a paredes, tetos e portas. É um mundo que se eterniza na mente e no coração de toda gente, que é a alma da toda casa. Essa moradia, infinita mesmo, dos nossos desejos, dos nossos sonhos de habitar a vida.


Eu compartilho desse significado ou talvez apenas o perceba erroneamente, mas carrego esse sentimento de infinitude, também.

*(morador de Trizidela do Vale -MA, sobre as casas entregues para as vitimas das enchentes no interior do estado do MA, e que já estavam apresentando risco aos moradores por causa das rachaduras. Assista aqui.)

quarta-feira, 30 de março de 2011

"Mariar"

Nem causador de tantas contribuições às discussões sociais ou aos fins dos preconceitos assim, quanto sugere o apresentador, nem tão dispensável quanto julgamos mesmo que sempre que podemos, demos uma espiadinha. O fato é que a vitória de Maria, me emocionou. Bial disse bem da surpresa. Ninguém ousaria pensar. Estamos mais acostumados a nossa vaidade, a subestimar, a rotular, a pré-conceituar, a desacreditar. Acho que porque o verbo"mariar" está imbuído de toda a essência feminina com os estigmas de sempre, incapacidade, indignidade, enfim subestimação. Para mim "mariar" é ser mulher, é ser humano antes disso. Não que "ela" agora seja um ícone feminista de superação, mas inspira a gente a pensar além do gênero, pensar com humanidade, e olhar com compaixão, paixão pra quem é igual a gente, humano, imperfeitamente humano, mas encantadoramente especial, homem ou mulher, feio ou bonito, inteligente ou nem tanto. Clichê, mas seria bom se fosse verdade, se acontecesse mais disso na vida real...

à propósito ou despropósito: "...seja você mesmo, porque ou somos nós mesmos ou não somos coisa nenhuma. E para ser si mesmo é preciso um trabalho de mouro e uma vigilância incessante na defesa, porque tudo conspira para que sejamos meros números, carneiros de vários rebanhos- os rebanhos políticos, religiosos ou estéticos. Há no mundo ódio à exceção- e ser si mesmo é ser exceção. Ser exceção e defendê-la contra todos os assaltos da uniformização: isto me parece a grande coisa."


Monteiro Lobato


Bom, se eu "mariei", releva, que trata-se apenas de mais uma teoria pessoal totalmente insignificante pós final de BBB. E não to ganhando um real por isso que dirá uma milhão e meio! ha ha ha ;)

domingo, 27 de março de 2011

segredo

Conto apenas pra você, em silêncios, como gosto de me ver pelo seu olhar, que parece que não enxerga nada além do querer bem, da beleza que existe em gostar, da magia de esperar pela chegada do amor, pacientemente. Conta-me, mesmo através dos receios meus; toda a poesia que nos espera, mas se demorar busquemos, cúmplices, um jeito de ser feliz em par, um jeito de enfrentar os momentos diferentes de agora, que virão sem convite. Aceita, com leveza, encontrar o afeto que sempre esteve aqui que aceito o sentimento novo que trouxestes. Espero aprender contigo mais dos verbos que dizem da vida, da alegria e das sutilezas de amar.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Meu amor se alimenta

Meu amor se alimenta de esperas,
esta noite ela vem ou não?
O futuro não existe
e torna tudo possível.
Teus lábios na minha orelha
sussurram a página zero
de um livro a ser escrito.
Um livro de areia
à espera de uma onda
de um vendaval,
de um final.
Certamente imprevisível
no oráculo ilógico do acaso.
Mas o meu amor permanece
impassível, inventando passatempos
esperando latente
espumante alvorecer.

Leandro Wirz, trazendo pra gente a poesia sempre oportuna e inspiradora :)

sábado, 12 de março de 2011

sentido

Coragem!
É a palavra do dia,
é o grito de ordem.

Coragem!
Repito, tremo.

Coragem!
Repito, sigo.

mormaço

não é possível que com milhões de coisas acontecendo mundo a fora, boas, ruins. aqui dentro pareça suspenso, há um temor de paralisar após atravessar a porta, entrar no palco, perder a voz. há um receio de não ser visto, de que olhem através de mim. um vidro. um fragmento. um corte. sabendo que é sempre possível sarar e sorrir. prendo o olhar na toalha da mesa meio brega, meio vintage e não consigo ver poesia alguma ao redor do móvel. não me decido entre me estender além desse horizonte íntimo e permanecer dentro daqui.