quarta-feira, 8 de abril de 2009

palavras soltas, texto não revisado

descompasso s. m.
1ª pess. sing. pres. ind. de
descompassar
descompasso
s. m.
Falta de compasso ou medida; irregularidade.
descompassar -
Conjugar
v. tr.
1. Tirar do compasso.
2. Desproporcionar.
in: http://www.priberam.pt/DLPO/default.aspx

Se a sintaxe não é o meu forte, a semântica também não. Mas me encanto mais com a significação que com a formalidade da linguagem. O significado e todas as infinitas possibilidades de construçaõ de sentido, que se dá num processo vivo onde cada sujeito pode criar ou modificar com aquilo que o constrói e descontrói também.

Por não saber estruturar minhas orações acertadamente me perco nas minhas palavras, por insegurança muitas vezes escolho o silêncio, a não palavra, mas isso não as encerra, não as destrói; elas continuam a existir no intímo e muitas vezes extrapolam por outros sentidos, por outras faculdades que não a fala, a escrita.

Por experiência própria digo da força das palavras não ditas, dos seus significados que nos transbordam, pelos olhos, pelas feições, pelo corpo todo. Parece até uma maneira de nos obrigar a ter coragem e assumir nosso discurso, nosso pensamento, nosso sentimento diante de algo ou alguém. No meu caso, esse extrapolar foi tão forte e incontrolável que mesmo eu escolhendo outras palavras pra esconder o que eu realmente queria dizer e me pareceu mesquinho e egoísta, elas se desmancharam no ar, não contrariando aquelas que eram de fato, de verdade.

Pode ser só a força da nossa alma, que é todo e não parte, nos mostrando que somos da fala ao gesto, do pensamento a ação, somos mente e corpo, e que somos nossos próprios adversários quase sempre.

PS: Essa citação também cabe nesse post:
Não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero.
(Carta de Paulo aos Romanos 7,19.)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

La poesía no tiene fronteras

Mi corazón snif...snif...
En medio al mundo tic-tac
Ni se puede bien decir
Solo es poesía pif-paf
Luís Antônio Teixeira (MINGAU)*
*é poeta e compositor. Nasceu e cresceu (ainda não reproduziu nem morreu) na cidade de Divinópolis, interior de Minas Gerais, que é uma espécie de interior do mundo. Graduou-se em História em 2007, trabalhou como pesquisador, foi premiado em festivais de música, publicou em suplementos e revistas literários, e escreve com canetinhas em paredes. Como não tem um estilo próprio, fez do não-ter-um-estilo-próprio seu próprio estilo. É co-editor de um almanaque (Almanaque D’Oeste séc. XXI.) e co-editor dos Folhetos BARKAÇA de literatura e artes visuais, ao lado de Carlos Lopes e diOli. Ainda não sabe o vai fazer da vida, mas acredita que a vida saberá o que fazer dele.)
A biografia veio junto com o poema
daqui --->http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/minas_gerais/mingau.html, porque deve ter sido escrita pelo próprio Mingau e também mostra sua criatividade e talento; qualidades mais que apreciadas por aqui.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

ComunicAÇÃO

Pon.tu.a.ção 1. Ato ou efeito de pontuar. 2. Arte de dividir, (...) as partes do discurso que não têm entre si ligação íntima, e de mostrar de modo mais claro as relações que existem entre essas partes. *

Eu já falei sobre pontos finais e agora percebo que não sou boa também com as vírgulas, separar uma coisa de outra, embora eu pense que sim. Pontuar e viver são mesmo pura arte, e em todos os sentidos da palavra. Que dificuldade saber onde existe uma pausa, onde se rompem as idéias, se diferenciam e, colocar cada sentido no seu devido lugar. Assim como um texto sem pontuação, a vida é bagunça e confusão e haja sabedoria para esclarecer tudo.
E a preguiça ou o mau hábito de não revisar, de não rever atitudes, conceitos e valores estremecem a comunicação, e ninguém se entende e eu muito menos me entendo. Mas reconheço bem que errei, porque ficam marcas como o sinal deixado erroneamente na frase, e ao invés de demonstrar o que queríamos, há outra interpretação mais errada ainda, que nos envergonha.
Mas importa que também estou disposta a aprender, a corrigir. E essa tentantiva de compreender e aperfeiçoar já é um bom começo, ou nesse caso um recomeço...
* Retirado de: Dermival Ribeiro Rios Minidicionário Escolar Língua Portuguesa-São Paulo, DCL, 2007. Onde (...) indica a omissão de um trecho.



Extraído da obra: POESIA FORA DA ESTANTE. Vera Aguiar, coord. Ilustrações de Laura Castilhos. Porto Alegre: Editora Projeto; CPL/ PUCRS, 2005


Tanto procurei que encontrei esse poema aqui :http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_visual/sergio_caparelli.html, o legal é que é imagem da página original do livro, que a propósito, eu tenho rs. É maravilhoso.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Blá, blá, blá

Aqui vai mais uma versão de um dia, daquelas menos colorida do que deveria e mais frequente do que eu gostaria. Agorinha vinha eu ali saltitante e feliz, nem me importei quando quase fui atingida por uma gororoba amarela que atiraram do alto de um prédio em pleno centro comercial da cidade (o vendedor da lojinha em frente disse que tem um infeliz que frequentemente tenta atingir um pedestre inocente, seja com água suja, ou qualquer coisa nojenta, hoje ele quase conseguiu). Enfim estava eu de alma alegre, inatingível para as coisas tristes e feias, mas pouco depois chego em casa e tenho vontade de chorar, não abriram a janela pra arejar a casa, não jogaram o lixo fora; eu só não chorei porque tinha gente aqui, e eu não me permito verter lágrimas na frente de ninguém, só raramente. Mas é isso. Às vezes sucumbo diante das pequenas coisas desimportantes que fazem parecer que só posso contar comigo mesma. E não estou falando de afazeres domésticos (talvez também). Eu só queria um pouco, com mais constancia, entender meus próprios sentimentos, isso de instabilidade ... Será que quando nasci um anjo meio "bipolar" me disse algo? Espero que seja apenas as oscilações de humor causadas pelos benditos hormônios femininos. Tomara. Mesmo assim não entendo essa sina de ser tão comum e tão intensa, ser mulher. Previsível e enigma pra si mesma. E toltamente imprevisível, como agora. (Eu só queria falar de ser alegre e ser triste, garanto).

domingo, 29 de março de 2009

Amor de pai

Ontem foi aniversário do meu pai, sessenta e dois anos. Eu esqueci como sempre, mas minha irmã sempre tem o cuidado de me ligar e lembrar para eu também poder desejar a ele tudo de bom. Falar do meu pai e da admiração e amor que sinto, é difícil, pois foi um amor construído com silêncios, e poucos gestos de carinho. Porque assim como foi educado ele aprendeu a educar os filhos, exigindo sempre muito respeito e cerimônia. E depois que nós tínhamos uma certa idade, mantinha uma certa distância aconselhável, como mandava as tradições da época. Dos poucos momentos de carinho que ele nos dedicou, lembro-me das vezes que chegava da lida (meu pai trabalhava na roça) e depois do seu banho tomado, sentava-se na cadeira de encosto e estendia as pernas sobre um banquinho; era nessa hora que disputávamos o colo dele, e quem conseguia ficava estirado sobre as pernas de papai um bom tempo, não precisava mais que isso. Esse era um dos momentos mais felizes, não só de minha infãncia, mas acredito que de meus quatro irmãos.
Mesmo com esse jeito de se relacionar conosco nunca tive dúvidas quanto ao amor de meu pai por mim e por meus irmãos, ao contrário, sempre tive certeza. Mas mesmo assim certa vez ouvi meu pai fazer elogios sobre mim a um amigo, dizia que era inteligente e contava histórias minhas da escola. Eu fiquei tão surpresa quanto feliz, ver meu pai ali, todo orgulhoso de mim foi mais do que a confirmação do que ele sentia, do seu amor.
Ultimamente alguns acontecimentos nos levaram a demonstrar mais nossos sentimentos, acho que é natural quando percebemos que o tempo vai passando e a gente não fez algumas coisas, não disse; o medo de que seja tarde demais nos invade.
Talvez restem coisas a serem ditas, mesmo assim, não diminuem esse amor que sinto e que tenho certeza, é correspondido.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Todo o poder da palavra

imagem:br.olhares.com/museu_da_lingua_portuguesa__são_paulo_foto1188916.html

_Turris eburnea!_ disse o cura.
E os meninos:
_Ora pro nobis.
E num dado momento "aquilo" aconteceu. A voz àspera de Pe. Antônio rascou o ar:
_Rosa mística...
Pedro esqueceu a ladainha. Seus lábios não conseguiram pronunciar o ora pro nobis. Rosa mística... Estas palavras lhe ficaram soando na memória com uma doçura de música. Rosa mística. Ele as repetia baixinho. Como era bonito! Rosa mística. Mas que queria dizer? Sabia o que era rosa. Havia rosas brancas, vermelas, amarelas... Mas que seria Rosa mística? Pensou em perguntar ao cura ou a Pe. Alonzo. Mas um temor secreto impediu disso. Ficou acariciando a palavra, guardando-a como um segredo, como um pecado. Rosa Mística. Na aula de doutrina quase se ergueu para perguntar: "Padre, que é rosa mística?" Mas não teve coragem. E um dia, olhando a igreja na hora em que o primeiro sol da manhã lhe incendiava as paredes, murmurou: "Rosa mística". E daí por diante, sempre que uma impressão de beleza o feria, sempre que alguma coisa lhe dava prazer, ele murmurava: "Rosa mística". Se uma laranja era doce, Pedro pensava: "Rosa mística". "Rosa mística" dizia também para as músicas que amava, para as nunvens, para as aves, para a água, para os peixes.

Érico Veríssimo em O tempo e o vento-O continente 1. (Globo pg. 42.)

As palavras

Eugénio de Andrade

São como cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêncio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta?
Quem as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?