quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Agora


Minha vida é feita de fragmentos (...). Um amontoado de fatos que só a sensação é que explicaria.

De repente as coisas não precisam mais fazer sentido. Satisfaço-me em ser. Tu és?
Tenho certeza que sim. O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência.
De certo tudo deve estar sendo o que é.

[...] a doçura é tanta que faz insuportável cócega na alma. Viver é mágico e inteiramente inexplicável.

Clarice Lispector - daqui.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Aniversando

Sou eu, essa meio estrábica,  fora de muitos padrões de beleza, presa a muitos padrões que sequer resistem ao tempo. Livre no desalinho da palavra. Há mais de três décadas tentando andar na linha, sem sossego. Errando na teimosia egoísta de não enxergar outro ponto de vista; disso não me orgulho. Encontrando o sucesso onde menos espero, nas coisas mais simples, nas pessoas mais amáveis e verdadeiras, o resto é vaidade. Procurando coragem pra continuar  mirando em todos os espelhos escolhidos para revelar as coisas bonitas e importantes.- Encarar o tempo com serenidade é um clichê necessário e inquietante.- Olhando pra trás com a certeza de que o que foi feito era o que poderia ser naquele momento, o resto é futuro e tentativas. Esperando na fé. Enquanto  aparo arestas, acerto o passo; penso, fico, vou em buscar do que é a vida em, para e por mim. Além disso, eu não sei, ainda.

domingo, 18 de novembro de 2012

Again

Mi corazón snif...snif...
En medio al mundo tic-tac
Ni se puede bien decir
Solo es poesía pif-paf

Luís Antônio Teixeira (MINGAU) antes aqui em abril de 2009 :)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

caleidoscópio


Olhar esse vazio
Estar fora do trilho
E colocar-se dentro
De si, no centro

Preencher o espaço
Que sobra
Com a parte
Que falta
E fazer da ausência
A emenda, a arte

Voltar então
Ao marco zero
Ser o começo
Desse mesmo elo:
Eu sou, nós.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Andando contra amar é...


Não nado, não nego, não calo.
Silencio, escrevo, misturo as bóias.
Contenho a água
da lágrima.

Construo o barco, navego só
Observo o orgulho, mergulho no ar
Afogo a mágoa, solto o riso
A poesia emerge.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Passagem

Eu tenho essa mania de fincar bandeiras em território insólito, de insistir na permanência, de resistir sem armas. Tenho essa mania de buscar valorizar a busca ao invés da conquista. Tenho essa mania de achar que todo mundo cabe dentro de um sentimento, o de compreender, o de dividir as fraquezas assim como as forças. Tenho essa mania de pequenez, de quem não se basta; de quem quando pensa em desistir, recomeça.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Devaneios

Há alguns minutos cochilando no sofá, não sei se pensei ou se sonhei o seguinte:
A magia da palava está nas múltiplas possibilidades de representação do objeto, de forma a intensificar suas características pelo imaginário, muito além do observável enquanto matéria, concreta: uma maçã é só uma maçã; quando vista, tocada, mordida. Simples, suculenta ou não, madura ou um pouco verde. Quando pensada, falada, escrita, pode ser a maçã mais apetitosa ao olhos, como a maçã oferecida a Branca de Neve pela Bruxa; pode ser a maçã oferecida a Eva pela Serpente; pode ser o fruto mais vermelho, mais doce, mais bonito, mais delicioso que existe. Pode ser o fruto do conhecimento ou do prazer, intangível pelos sentidos, mas perceptível pela imaginação. A palavra escrita ganha uma eternidade que uma simples maçã real não tem.

Eu disse que isso é fruto de entre acordada e dormindo. Mas escrevo.
Boa noite pra quem escreve a vida, e para quem a abocanha, também.