quinta-feira, 10 de março de 2011

“sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
espécie de acessório ou sobressalente próprio,
arredores irregulares da minha emoção sincera,
sou eu aqui em mim, sou eu.
quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim."
Álvaro de Campos

in : http://pafurada.tumblr.com/post/114205896/sou-eu-eu-mesmo-tal-qual-resultei-de-tudo

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

lembrança


Imagem : arquivo pessoal :Divisa Maranhão -Tocantins- trecho da ponte da Ferrovia Norte-Sul sobre o rio Tocantins (Estreito - Maranhão)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

conviccção

É possível vencer o ceticismo milenar, ir contra a força do pensamento insistente, sempre incrédulo de que é agora, é isso, sou eu. Se fosse fácil não haveria livros contando tais segredos. Mas tenho motivos para mudar as perspectivas, acredito que tocarei o futuro com todos os presentes que sempre passaram diante dos olhos e do coração. Sim, vou pensar com toda a força dos bons sentimentos, a fé me habita. I believe. :)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

cotidiana
eventos cíclicos ocorrem alinhando incompreensivelmente poesia e embaraço sem tempo certo, sem porquês, apenas. Desconfio dos sinais dos tempos, mais há mais do que já foi dito, existe-se. Os enigmas se desmancham sem sentido, vez ou outra, e retornam para que novamente. É fase, é festa, é frio. Tudo se dissolve no primeiro raio de sol, acorda-se. É fato, entristecer tem sua beleza, alegrar-se tem sua melancolia. Agora não se nomeia ou teoriza, ando sonolenta para o trivial, mas só preciso olhar de novo para despertar pra simplicidade das coisas, essencial encantar-se diariamente, além.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

questões

Quais as palavras
cortantes
que não deixam
marcas?

Quais as dores
suportáveis
que não dão
trégua?

Quais as perguntas
absurdas
que fazem
sentido?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

resolução I

Dessa vez não levarei peso, dessa vez não me importo com nada que não seja não se importar, como quem anda com o zíper da bolsa quebrado, como quem anda por aí com chinelo de dedo, como quem não ouve e não vê nada que não seja bom humor, melodia. Só irei, serena e segura na direção do que não conheço, mas não temo, estarei munida da certeza de poder de novo, de tentar mais vezes e de no máximo se nada for como espero, contar com o tempo a favor de todos, do esquecer. Mas apenas se, porque estarei como quem sabe que acertará; como alguém que diz: eu já sabia.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

passatempo

Observo a rua pouco movimentada à minha frente. Uma criança de aproximadamente um ano e meio brinca com outra que parece sua irmã, atravessa a rua e volta, dá um passo com mais esforço pra subir a calçada, mas independente. Aquele andar trôpego de bebê, mesmo assim decidido, aquela inocência sobre o mundo, e a ternura típica emanando na direção de quem o vê, ali entretido com o simples fato de andar de um lado a outro, só poesia e doçura.
Menos de dez minutos depois, inacreditavelmente, um senhor de cabelos completamente brancos, com o andar igualmente trôpego, encurvado; mas também decidido, cruza a rua, embora só, e também inspira ternura, mas dessa vez pela experiência, pela história desconhecida que carrega nos ombros. Só fragilidade e brandura. As cenas me emocionam, num piscar de olhos a vida floresce e murcha, nesse encanto, que sentimos, mas não enxergamos. É quase possível tocar a beleza de viver enquanto penso na delicadeza dessa linha, certa e misteriosa, do tempo.