quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

imagem: http://olhares.aeiou.pt/beautiful_dream_foto1753360.html
Hoje cheguei da viagem ao MA e voltando pra casa depois de uma volta pela cidade, já colocando alguns assuntos em dia, lembrei desse poema, lembrava dos primeiros versos apenas. Foi o bastante pro Google fazer o resto do trabalho por mim. Aí está, lindo e inesquecível. Porque a gente devia se despedir de algumas coisas e pessoas com poesia, onde até dor e tristeza podem ser bonitas, colocar um fim assim, junto com o ponto final do último verso, e seguir compondo coisas novas, mesmo novamente finitas, novamente suscetíveis a outras despedidas sofridas.
Nel mezzo del camim...

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...
E paramos de súbito na estrada
Da vida; longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Hoje segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

tempo

Houve um tempo em que o auge da felicidade era encontrar o mais novo esconderijo das guloseimas proibidas.

Houve um tempo em o auge da felicidade eram olhares cruzados cheios das mais pueris ilusões, mesmo assim perfeitas.

E há o agora, onde me pego pensando no futuro e no que hei de considerar ter sido o auge da felicidade.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Personagem

Eu estou tentando escrever uma crônica onde a personagem seja uma mulher, mas acho muito autobiográfico e não consigo encontrar um nome que faça o leitor acreditar, assim como eu acredito, nas personagens dos livros que li e acho que não poderiam ter outro nome senão aquele. Acho os nomes que coloco muito inapropriados. Ninguém acha que a moça dos olhos de ressaca deveria ter outro nome que não fosse Capitu, inimaginável isso. Não que eu imagine criar uma personagem tão famosa, mas encontrar essa verdade, que só é possível na fantasia.
 
Então a mocinha dessa história não tem nome ainda, mas existe. Vou tentar falar um pouco sobre ela, tentar familiarizá-los sem que isso signifique que devam simpatizar com ela. Mas então, essa moça também não vive nada de extraordinário, não faz nada de extraordinário que faça dela a nossa heroína; embora pessoalmente, eu creia que qualquer pessoa seja digna desse título, qualquer um que esteja nessa luta diária que é viver, é herói. Alguns têm que guerrear mais, mesmo que seja difícil pra mim desmerecer alguém, julgar o quanto uns são mais fortes ou valorosos que outros, e quanto a esse pensamento eu e a moça de quem falo somos parecidas.
 
Na verdade quanto às muitas dúvidas em relação a tudo, ela é assim, eu também. Falemos dela. Outro dia mesmo, na verdade há muitos dias, mas quando acontece algo do tipo, fica-lhe na mente como um pequeno filme aquela cena, e vez ou outra se pega a lembrar de repente.
Outro dia então, foi que estava numa estrada esperando, (a espera é frequente) e viu passar o que parecia ser uma família: duas crianças, uma moça e um rapaz cada um numa bicicleta. De repente a que parecia a mãe desacelerou e esperou que o moço, que parecia ser o pai, apoiasse a mão em suas costas e lhe desse um impulso, ao que lhe retribuiu com um sorriso, a cena também agradou aos outros membros da família viajante.
Aquele gesto comoveu a moça de um jeito; como ela achou lindo aquela ajuda, aquele empurrão; não foi um empurrão puro e simples, foi cheio de cumplicidade, carinhho e afeto e aquilo a emocionou bastante, lembrou de um filme que nunca assistiu (nem eu, talvez o faça um dia) , chamado O caminho da nunvens¹ onde um família faz uma viagem sobre bicicletas.
 
Vejam vocês como eu posso fazer dessa moça alguém que também se comove, com a entrada de um casal dentro do ônibus, com a gentileza do rapaz ajudando a menina com as sacolas, tendo o cuidado de procurar um lugar pra ela ou se ficarem de pé, ficar ao seu redor como a proteger-lhe de qualquer desequilíbrio numa curva, ou qualquer outra coisa.
 
Alguns podem pensar que essa moça tem uma sensibilidade boba, gosta dessas sutilezas dos romances reais, outros podem dizer que é muito brega essa admiração, que não veêm beleza numa cena trivial dessas. Eu sinceramente começo a ter simpatia por ela, seus sentimentos, sua forma de olhar as coisas, as pessoas. Mas ainda não é essa a personagem sobre quem quero escrever. Talvez se eu lhe desse um nome...Não. Vou tentar de novo mas, outro dia.
 
1- "O Caminho das Nuvens é baseado na história real de Cícero Ferreira Dias. Caminhoneiro desempregado que, junto com sua mulher e seus 5 filhos, pedala desde Santa Rita, na Paraíba, até Bangu, no Rio de Janeiro, numa arriscada jornada de 3.200 quilômetros."(http://www.adorocinemabrasileiro.com.br/filmes/caminho-das-nuvens/caminho-das-nuvens.asp )

PS: Rascunho enviado diretamente de Teresina-PI.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Tema

Tem dias que acordo com uma vontade de ouvir determinada música. Hoje foi essa. Confesso que assisti a minissérie A Casa das Sete Mulheres em alguns momentos, muito mais interessada no romance de Perpétua (Daniela Escobar) e Inácio (Marcelo Novaes) do que na história da Revolução Farroupilha. Eu lembro que quando tocava o tema do casal era lindo. Ah... esses hormônios botam a gente comovida como o diabo (com a licença de Drummond). Eu só acho que esse sax poderia ser dispensado, e continuaria ótima, mas enfim se eu entendesse de música estaria cantando ou tocando e não implicando com o som de um instrumento numa música que gosto.


Fênix-Jorge Vercilo

PS: Vou ali, ao Maranhão; se eu demorar dar as caras por aqui, até a volta. Deixo essa música tocando aqui até lá. Aproveitem!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Testemunhas

Ontem eu assisti um filme na tv, Dança Comigo com Richard Gere, Jennifer Lopez e Susan Sarandon. Sou suspeita pra falar porque adoro esse tipo de filme, que fala sobre dança, que tem dança na história, mas achei emocionante mesmo, fiquei pensando numa fala da personagem Beverly Clark (Susan Sarandon) esposa de Clark (Richard Gere) onde ela explica porque as pessoas se casam. Disse que as pessoas se casam "Porque precisamos de alguém que testemunhe nossa vida. Com bilhões de pessoas no planeta o que a vida de alguém significa? Mas no casamento você promete cuidar de tudo. As coisas boas, as ruins, as terríveis. As coisas mundanas... Tudo isso, o tempo todo, todos os dias. Você está dizendo: "sua vida não passará despercebida, porque eu vou perceber. Sua vida não passará sem testemunho, porque eu serei sua testemunha." (finalmente encontrei aqui na íntegra, e consertei, alguém também achou uma linda fala)

O fato é que isso me lembrou uma situação inusitada que aconteceu há alguns dias, esperando o sinal fechar agarrada a um poste enquanto as outras pessoas se arriscavam no meio do vai e vem dos carros. Um senhor bem idoso chegou perto de mim. Perguntou se eu estava com medo, se queria viver muito. Disse que faria 70 anos tinha trabalhado não sei quantos anos pro Governo, sua mulher faria 65 anos de idade e eles fariam 45 de casamento. Eu disse a ele que isso era muito bom, e faltavam apenas cinco anos pra comemorarem bodas de ouro. Ele insensível a minha pouca atenção, tirou da carteira uma foto de sua senhora me contando que ela havia ido ver os pais no Ceará. Eu disse que era bonita (não menti), me admirei dos pais ainda estarem vivos; fiquei meio sem jeito daquele senhor esta me contando sua vida toda no tempo em que o semáforo demora para ficar verde. Abriu o sinal, disparei e ele continuou andando ao meu lado, conversando. Eu até andei mais devagar porque não quis ser grosseira e deixá-lo falando só. Mas então tive que dobrar a esquina e acho que ele tinha que seguir em frente, fiquei aliviada porque a gente sempre acha que essas pessoas são um pouco loucas, mas fiquei mal depois, porque quando eu tive que seguir em outra direção, nem olhei pra trás pra me despedir com um sorriso cordial.

Depois fiquei a pensar porque aquele senhor abordou uma estranha num sinal de trânsito pra lhe contar um pouco da sua vida, do seu cotidiano. Será que estamos tão insensíveis e indiferentes assim? Que não conseguimos nos escutar, nos falar mais. Dividir nossos pequenos dramas, comédias e romances cotidianos? Eu acho que talvez esteja faltando sim, um pouco de cumplicidade, de generosidade. Acho que precisamos sim de alguém pra dividir essa imensidão que é viver, de compartilhar essa vida que transborda em nós.
Que nesse ano sejamos mais humanos, mais generosos, mais atenciosos, sejamos testemunhas uns dos outros.

Eu me pergunto porque eu também venho contar dessas amenidades aqui, acho que eu também estou conversando com um estranho esperando o sinal ficar verde, pra continuar.

Mil beijos meus confidentes inesperados. Feliz ano novo! Oxalá que seja um ano de paz.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

todas somos um pouco Tati

Desde que descobrir os textos dela, em um dos blogs que leio e cheguei ao site pensava em postar um deles, ai esta um dos onze escolhidos; adoro esse jeito de escrever com a alma, com o coração, com toda dor e emoção que não cabe dentro dela, esse jeito de falar de tudo, de ter coragem de se expor e que é tão parecido com as coisas que sentimos que quando lemos parece que ela escreveu tudo que a gente sente e não sabe como dizer em palavras, essas coisas de mulher...

O não texto

Você não está lendo um texto. Você está dormindo numa rede, atravessando um farol, comprando um porta-clipes, fazendo arroz integral, prendendo os cabelos, assistindo doctor House, vendo sua cachorra espreguiçar. Sei lá, qualquer coisa. Mas você não está lendo esse texto.
Eu também não estou escrevendo pela trigésima vez sobre gostar de alguém. E tentando entender todos os 567 contras e 876 a favor. E tentando metaforizar um cheiro, um olhar, uma frase. E tentando descrever minha dor só para dar a ela algum patamar mais interessante do que a simplicidade de uma simples dor. E tentando supervalorizar minha alegria, só para dar a ela um gosto de vitória como se jamais fosse cotidiano ser feliz.
Eu não estou de frente para uma folha em branco. Tentando tornar meus personagens mais interessante e meus sentimentos mais nobres. Eu estou de frente para eles, vendo que meu personagem pode ser sem graça e meu sentimento pode estar morrendo.
Este é um não texto porque cansei da minha covardia em me contar um mundo que eu invento para viver melhor. Cansei de me contar um personagem só para que suspirar não seja um simples movimento involuntário. Cansei de me contar uma história linda, só para que os dias não corram sem magia e sem a certeza de um grande final de filme.
Imagina só que vida chata se eu, ao invés de escrever um texto de amor, cheio de esperança, profundidade, dor, maluquice, tesão, estivesse escrevendo um texto assim: e ninguém é interessante e eu, pra ser sincera, não gosto de ninguém.
Triste, muito triste. Chato. E pior do que tudo isso: anti-literário. Como é que um escritor vai se sustentar com um coração vazio?
Mas chega. Hoje decidi que estou prestes a assumir meu coração vazio. Não decidi isso movida por uma grande coragem ou por um momento de iluminação. Nada grandioso aconteceu. Apenas sinto que dei um pequeno, quase imperceptível, passo para uma vida mais madura. Eu simplesmente não suporto mais pintar o céu de cor-de-rosa para achar que vale a pena sair da cama.
Não posso mais emprestar mistério ao vazio, vida ao oco, esperança ao defunto, saliva ao seco. Não posso mais emprestar meus desejos para que pessoas se tornem desejáveis. E, finalmente, não posso mais inventar amor só para poder falar dele.
Recebo e-mails de muita gente que me fala “que coragem escrever assim sobre o amor”, “que coragem ir tão fundo na sua dor”, “que coragem sentir tantas coisas a flor da pele”. Mas pelo menos hoje quero me desafiar a fazer algo muito mais difícil. Quero não sentir nada. Quero descansar meu coração de saco cheio das minhas invenções e precisando se preparar para viver algo de verdade.
Como será que é acordar e não esperar nada com o toque do celular, da campainha, do messenger, do e-mail, do ar, do chão? Como será que é sentir e gostar da vida pela sua calmaria e banalidade? Como será que é viver a banalidade sem achar que isso é banal?
Este é um não texto. Pra falar de um não amor. Pra falar de um não homem. Pra falar de uma não fantasia, invenção, personagem. Esse é um texto a favor da vida, pra falar da vida. A vida com seus defeitos, cinzas, brancos, estagnações, paradas, frios, silêncios, amenidades. A vida que pode não acelerar o peito e deixar tudo com estrelinhas de purpurina. Mas que é incrível por ser real.
A vida que não se escreve mas se vive, mesmo que isso, muitas vezes, seja ainda mais difícil que qualquer regra gramatical ou construção literária.

sábado, 27 de dezembro de 2008

praticando

Parafraseando Moacyr Scliar, se eu não aprender a escrever não quero que seja por falta de prática. Não posso mais esperar uma inspiração, um fato, um motivo. Acho que gosto mesmo de me escrever por aqui. Então já aviso de início pra quem não quer perder tempo, que estas linhas são para puro exercício de expressão, então perdoem-me; e lembrem-se a prática leva à perfeição. Então continuemos.

Estou num momento de revisão, estou revendo tudo desde os antigos recortes às novissímas idéias minhas. Nessas revisões decidi comprar uma agenda nova, nada mais adequado, ano novo agenda nova. Eu sempre ganhei agendas, nunca comprei. Minhas primas me levavam de presente de seus trabalhos, quando eu estudava e nunca usei-as adequadamente. Acho que você tem que anotar coisas na data certa e verificar anotações e compromissos agendados cada dia, e se desfazer dela ao fim do ano. Eu não, eu anoto de tudo desde receita de vitamina de frutas até as contas mensais. Frases lidas e gostadas. Livros lidos e a comprar (nunca compro e sempre interrompo as leituras). Uso minha agendas por no mínimo cinco anos, porque não posso me desfazer delas sem passar a limpo pra nova, muita coisa ali anotada, de telefones que não quero perder a nome de remédios, e o tempo vai passando.

Como já ando procurando espaço nessa agenda atual, acho que está na hora de alguém me presentear, digo, de eu comprar uma. Sempre bom fazer coisas novas (não esquecer). Além de tudo minha agenda é porta papéis (documentos, dinheiro, etc, contas, papeis importantes etc). Acho que vou patentear a invenção de uma agenda com porta trecos agregado. Ainda não existe né? Nunca vi. Deve ser porque nunca olhei agendas para comprar uma.

Tudo bem, tudo isso não tem importância, mas é que contei essa lenga lenga toda, pra dizer que minha agenda tem frases e citações diversas em cada página correspondente a cada dia do ano de 2003 (realmente acho que já posso trocar). E claro que não jogaria fora, sem guardar essas frases tão legais, pra poder ler quando eu quiser, e de quebra ainda mostrar pra alguém. Assim alguns dos próximos posts serão dedicados a esses provérbios, e alguns autores que foram capazes de eternizar em suas falas um momento de sabedoria ou vários.

Para a despedida e já deixar um gostinho do que vem, aí vão dois deles:

Aquilo que se começa está metade feito. (Horácio -poeta latino 65- 8 a.C.)

As palavras voam, os escritos permanecem (Provérbio latino)

PS: Assim como essas, as citações do post anterior fazem parte da mini coletânea da minha futura antiga-agenda. Reparem que esses aqui são bastante pertinentes ao texto de hoje.